Há muito tempo que não aparecia por aqui um "diz que disse"...
Para lerem melhor, cliquem sobre a imagem. Um dia MUITO BOM!
SHALOM
destrivializar e desritualizar
imaculada conceição
Já que esta terça-feira calha no dia em que se celebra a Imaculada Conceição de Maria, deitei mão a um post já com três anos, publicada no estaminé aqui do lado, o "A Sós com Eles"... Um grande abraço! SHALOM
Dito em linguagem clássica, o Dogma da Imaculada Conceição refere-se à “concepção de Maria sem mancha de pecado original”. A maior parte dos católicos pensa ainda, erradamente, que a linguagem da Imaculada Conceição tem a ver com a concepção virginal de Jesus. Durante a sua história, a Igreja proclamou quatro dogmas marianos: a Maternidade Divina de Maria, a Virgindade de Maria, a Assunção de Maria e a sua Imaculada Conceição.
Este dogma foi proclamado apenas em 1854 pelo Papa Pio IX, e o texto original diz o seguinte: “No primeiro instante da sua concepção, pela graça e privilégio de Deus Todo-Poderoso e em consideração aos méritos de Jesus Cristo, salvador do género humano, a Virgem Maria foi preservada e isenta de toda a mancha de pecado original”.
É isto que significa Imaculada [sem mácula-mancha-pecado] Conceição [concepção].
Um Dogma é uma formulação teológica que serve à Igreja para dizer uma determinada dimensão do Mistério da Fé num tempo concreto. Temos sempre que distinguir entre a aquisição teológica a que a Igreja chega e as condicionantes culturais em que a exprime. Sem esta permanente releitura da nossa própria linguagem da Fé caímos no dogmatismo farisaico ao qual Paulo já se referia: “A letra mata, o Espírito é que dá a vida” (2Cor 3, 6).
Em relação ao dogma da Imaculada Conceição, este não pode ser mediação da Boa Nova se não fizermos uma releitura do que significa “Pecado Original”.
Quando foi escrito o Dogma, por “Pecado Original” entendia-se uma mancha na alma herdada de geração em geração, que passava através da relação sexual. Já tinha acontecido ao longo de toda a teologia medieval um afastamento quase radical da teologia bíblica e da sua compreensão de pecado, que tem sempre a ver com a quebra de uma Aliança. A linguagem bíblica é sempre relacional.
No entanto, depois entendeu-se o pecado como “mancha na alma”, maior ou menor conforme a gravidade… Era preciso ter a alma sempre mais ou menos limpa, porque a qualquer hora podia soar a hora do juízo [morte], e cada um seria julgado pela brancura e pelas manchas da alma. Não havia a mínima noção da interioridade pessoal humana como construção histórica. A “alma” era igual para todos, vinha directamente de Deus e era introduzida no corpo humano durante a gestação intra-uterina (!!!); a diferença é que uns a tinham mais limpa, outros mais suja! Para limpar havia os Sacramentos, sobretudo a Confissão, e diversos sacrifícios [jejum, longas orações, abstinência sexual, peregrinações…].
Como não havia outra maneira de conceber pessoas senão através da relação sexual, mas como esta era pecado [como, aliás, tudo que tivesse a ver com sexualidade!], todos os seres humanos nasciam com uma mancha do pecado na alma, antes mesmo de poderem pecar! Este era chamado o “Pecado Original” [o que vem das origens].
Como vemos, a formulação do Dogma está muito distante da compreensão bíblica do Mistério da Vida de Deus e do Homem…
Na bíblia, o que chamamos “Pecado Original” [que é uma expressão criada por Sto. Agostinho no séc. IV] chama-se Pecado de Adão. Adão é a figura simbólica do princípio da Humanidade. Adão e Eva cederam à tentação da Arbitrariedade, ao impulso de escolher o bem ou o mal em função de si próprios, e assim iniciaram a dinâmica do Egoísmo. É isso que significa “colher da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. O Egoísmo provoca rupturas: estavam nus um diante do outro, e deixam de estar [estar nu diante do outro é símbolo da verdade e da confiança recíproca]; eram unidos como uma só carne, mas passam a acusar-se mutuamente; viviam em harmonia com toda a criação, mas agora vão ter que lutar com ela para viverem [é o que significa o trabalho agrícola]…
Mas este Pecado de Adão não ficou encerrado neles… A bíblia continua: tiveram dois filhos, e um matou o outro!!! A Arbitrariedade gerou o Egoísmo; o Egoísmo gerou a Acusação; a Acusação gerou o Fratricídio.
Depois – ainda continua a bíblia – Caim vai ser pai de muita gente… E passado um pouco encontramo-nos simbolicamente com toda a Humanidade junto à Torre de Babel, símbolo do desejo de possuir, dominar e conquistar que gera o desentendimento universal! [todos estes símbolos da história humana marcada pelo pecado estão nos 11 primeiros capítulos da bíblia]
Já no Novo Testamento, São Paulo usará uma imagem muito simples para entendermos o mistério da Nova Aliança como Reconciliação: a Humanidade é como um enorme Corpo a que todos pertencemos. “Quando a Cabeça não tem juízo… o Corpo é que paga!”
A primeira Cabeça da Humanidade [Adão] iniciou a dinâmica do pecado, do egoísmo que gera a violência, e isso é como que o sangue que percorre todo o Corpo, infectando-o…
Então, Deus amante da Humanidade, o que sonha? Dar-lhe uma Nova Cabeça! Jesus Cristo é o Novo Adão – diz Paulo – ou seja, é a Nova Cabeça da Humanidade. Acontece em Jesus Cristo a Recapitulação da Humanidade [re-capite: pôr uma nova cabeça]. Da Nova Cabeça circula para o Corpo a dinâmica da Vida, da Reconciliação e da Paz que recria o Corpo inteiro do pecado. Eis como o diz o Apóstolo: “Por um homem penetrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte [no sentido de morte violenta, como o fratricídio de Caim], e assim a morte estendeu-se para toda a Humanidade. Mas assim como pelo pecado de um só reinou a morte através dele, com muito maior razão por meio de Jesus Cristo reinou a vida… Assim como com o pecado de um só se estendeu a condenação a toda a Humanidade, assim a fidelidade de um só estendeu a toda a Humanidade o decreto que concede a vida! Onde abundou o pecado, superabundou a Graça! (Rom 5, 12-20)
Assim como o Primeiro Adão introduziu na marcha histórica da Humanidade a dinâmica do pecado que gera o fratricídio, o Novo Adão tornou-se para todos dador do Espírito da Vida que gera a Fraternidade. Assim como o pecado de Babel gerara a confusão entre todas as línguas, o Espírito do Pentecostes gerou o entendimento entre todas! Eis a Nova Humanidade iniciada em Jesus, o Cristo.
Esta Nova Humanidade nele inaugurada ainda não está acabada. Ainda correm nas “veias relacionais” deste Corpo universal muitos ritmos negativos à moda de Adão… Mas circula também neste Corpo que formamos com todos os Homens e Mulheres de todos os tempos o Espírito Santo que nos inspira ao Amor e nos abre a relações fraternas marcadas pela Verdade e pelo Bem-Querer.
Aqui, temos que despertar para uma outra dimensão essencial da Vida: começamos por ser o que outros fizeram de nós. Quando uma pessoa humana começa a tomar consciência da sua própria existência já está profundamente habitada e marcada por outros! É à luz desta verdade que devemos entender hoje a linguagem do Pecado Original, o Pecado que vem das Origens.
Nascemos num contexto que não escolhemos nem pedimos. Começamos a nossa vida recebendo um leque de possibilidades que nos são dadas pelos outros. No entanto, os outros também inscrevem em nós bloqueios e limitações. A Humanização é um processo histórico de realização das possibilidades permanentemente recebidas e a vitória sobre os bloqueios, na certeza de que quando realizamos uma possibilidade abre-se um novo leque de possibilidades, e quando derrotamos um bloqueio ficamos mais fortes para derrotar os seguintes!
Ninguém é herói ou culpado pelas possibilidades ou bloqueios que são inscritos na sua vida. O heroísmo ou a culpa decidem-se no modo como cada um põe as suas possibilidades a render. As possibilidades têm sempre a ver com o amor, e os bloqueios são sempre consequência do pecado humano.
Falar de Pecado Original significa compreender esta dinâmica da vida pela qual nascemos no seio de uma Humanidade marcada não só por ritmos positivos, mas também por ritmos negativos. Entende tudo isto como linguagem relacional!
Podemos entender o Pecado que vem das Origens deste modo: começamos por ser apenas vítimas do pecado da Humanidade, mas depois tornamo-nos também culpados desse pecado pelo nosso próprio pecado individual. Isto é, não só nascemos num contexto humano marcado por ritmos negativos, como depois nós próprios inscrevemos alguns ritmos negativos na marcha da História.
Dizer que Maria, mãe de Jesus, foi “isenta de pecado original” não significa, por isso, que não tinha uma “manchinha na alma” que os outros tinham! Significa dizer que nascendo no seio de uma Humanidade marcada por ritmos negativos, não inscreveu na história novos ritmos negativos! Vítima do pecado humano, não se tornou culpada desse pecado pelo seu próprio pecado individual. Por isso foi uma mediação extraordinária da Verdade e da Ternura Maternal do Espírito Santo para Jesus na preparação da sua Missão Messiânica!
Celebrar Maria como Imaculada Conceição é Boa Nova para todos os discípulos de Jesus, o Cristo, porque se torna para nós apelo a derrotarmos a lógica do pecado original-universal em nós e nas nossas comunidades.
A linguagem da “manchinha da alma” milagrosamente inexistente retira dignidade a Maria, desfigura a seriedade de Deus e é totalmente inconsequente para a nossa própria Fé!
Ajuda-nos,
Espírito da Verdade, que nenhuma fórmula pode conter
nem nenhum tempo consegue esgotar,
a vivermos abertos à Novidade da Tua presença
e à Surpresa da Tua acção em nós.
Dá-nos um Coração Generoso
para nunca nos negarmos aos Teus pedidos,
Forte para vencermos o pecado que nos vitimiza
e Sábio para resistir a todas as tentações
que aumentam o Pecado Original-Universal!
Servos de Jesus Cristo,
o Novo Adão,
faz-nos vitoriosos sobre o Pecado, a Violência e a Morte!
Amén
saminho 1003
Querido Jesus,
dizem que é por eu ser pequeno que não entendo…
Mas eu não sei se os crescidos entendem mesmo
ou só têm mais jeito do que eu para arranjar desculpas e fazer de conta.
Dizem que é por eu ser pequeno que não entendo…
mas não entende mesmo que haja telescópios
para ver as estrelas mais distantes e os planetas mais desconhecidos,
e seja tão difícil tornar-se amigo das pessoas que vivem do outro lado da rua.
Não entendo que seja normal saber descrever os astros mais desconhecidos
e falar de estrelas que já nem existem,
e ao mesmo tempo seja tão difícil tornar-se conhecido do vizinho que mora ao nosso lado
e de quem eu não sei o nome. É só "o vizinho do lado".
Dizem que é por eu ser pequeno que não entendo, e se calhar é mesmo…
Mas vejo na televisão pessoas a irem para o espaço em naves
que custam mais do que mil casas como a minha,
e ao mesmo tempo vejo pessoas a virem da África para a Europa
em barquinhos de madeira que se desfazem pelo caminho.
Se calhar é mesmo por eu ser pequeno,
mas não entendo que ainda antes de eu ter nascido já uns homens tivessem ido à lua
e, ao mesmo tempo, esta semana ouvi uns amigos dos meus pais a comentar
que há muitas crianças como eu num país com um nome esquisito
que morrem todos os dias com diabetes
porque lá nos hospitais não há frigoríficos para conservar a insulina.
Dizem que é por eu ser pequeno que não entendo
que haja uns tubos enormes e muito bem protegidos para levar petróleo,
acho que lhe chamam oleodutos, que atravessam milhares de quilómetros lá nas arábias,
e ao mesmo tempo há milhões de pessoas ainda no mundo que não têm acesso a água potável!
Não dava para fazer uns tubitos assim compridos também?!
Dizem que é por eu ser pequeno que ainda faço estas perguntas…
Dizem que daqui a uns anos vou deixar de as fazer.
E eu pergunto (outra vez): porquê? Porque é que vou deixar de fazê-las?
Porque afinal estava a ver tudo mal e não é nada assim?
Ou porque entretanto já ficaram estas coisas que eu não entendo resolvidas?
Ou porque eu vou finalmente encontrar respostas a sério?
E os crescidos só encolhem os ombros… e eu percebo que não é por nada disto, afinal…
Eles estão é à espera que eu me canse de fazer perguntas
e me contente com a meia dúzia de respostas fáceis que já têm preparadas para mim…
Querido Jesus, ajuda-me a estar sempre atento!
Não te peço as respostas todas a tudo!
Mas peço-te que me ajudes a nunca deixar de fazer perguntas.
Pelo menos, as certas. Gosto muito de ti!

histórias na areia
E, sem mais, SHALOM
Luz Movimento

Um mar de Luz... como Movimento... e juro-vos que saboreei hoje de maneira nova a LUZ tantas vezes presente na linguagem da Fé... porque fisicamente, a Luz é Movimento... e teve sabor novo aquele eterno FAÇA-SE A LUZ... ou o EU SOU A LUZ dito por Jesus... ou o VÓS SOIS A LUZ dirigido aos discípulos... neste mar de Luz que hoje fotografei percebi pela primeira vez que aquela definição científica de que a Luz é Movimento, afinal, tinha tudo a ver com a minha Fé...
Às sextas com... ANA
Assim ficam aqui os três maninhos Ascensão: o Ricardo, a Teresa e a Anita.
Se clicarem nos nomes deles, vão à Sexta-Feira que eles fizeram por aqui.
Se clicarem no nome da Anita, vão ao blog dela. SHALOM.
Obrigado Anita!

Acho que me lembro bem do dia em que senti a primeira pontada no meu coração…
Demorou algum tempo a passá-Lo do exterior para o interior, a passá-Lo de palavras para atitudes concretas de vida, a passá-Lo da teoria para o sentir, e a perceber que realmente habita em mim...
Não o descobri sozinha, e ainda hoje, vou conhecendo o seu rosto em contextos pessoais, porque onde Ele melhor se revela é nas relações e na expressão dos outros…
Como se ouve por aí dizer: “Desde aquele dia a minha vida mudou!”
Dizem que quando Deus Reina a história é outra, e a realidade é que é mesmo…
Acho que é bom tentar imaginar se tudo não se tivesse encaminhado por aqui e aprender a sentir-me sortuda por assim ser…
Ainda hoje me sinto tão pequenina para algo tão grande, acho que às vezes não cabe, e é aí que cresço, cresço, cresço… e aprendo que Ele nunca fica de fora…
É também com Ele que aprendo o que é o “revolver das entranhas”. Expressão rebuscada, mas que tem ganho um sentido muito bonito para mim. É mesmo bom sentir o meu interior a revirar, a se des(inquietar). O que é interior fica à superfície, e o interior é sempre um lugar mais acolhedor e confortável para se estar. É bom a desordem que Ele cria… deixam de existir certezas e todos os dias tornam-se oportunidades…
Deus ensina-me a força das raízes. A importância do semear e não tanto do colher…
É bom poder olhar em volta e acreditar que todo o terreno é bom (ainda me estou a exercitar nesta arte, como em todas as outras…).
Deus faz-me gostar de viver independentemente de um dia ser intitulado de bom ou de mau…
Com o Abbá, findam os limites. Não existem fins, mas sempre transformações e novos recomeços… partem-se as barreiras, avistam-se novos horizontes…
Sempre quero ver o amanhecer…
Com amanheceres assim não me poderia sentir senão muito agradecida e dizer, sim… EU SOU FELIZ!
Olá! Eu sou a Ana, uma das pessoas que sentem amanhecidas por Deus e SOU FELIZ!
E isto são tudo só palavras bonitas… porque vivê-Lo é bem mais bonito…
u ia scrvr um post a s´rio mas dpois não du
SHALOM
para não cairmos na tentação...
Tenho o privilégio de poder partilhar a Vida e a Fé em Comunidade. Ontem à noite, reunido com uma das Comunidades a que pertenço, pude saborear isto que foi dito em jeito de partilha…O mal faz muito barulho, é muito ruidoso. O bem é silencioso… Porque acontece por dentro, e vem de dentro! E não se impõe… O mal impõe-se… Entra-nos pela casa adentro, invade-nos a vida, e quando acontece em nós também faz levantar muitas vozes no nosso íntimo… Quando sai, manifesta-se com estrépito, com rispidez e violência…
Como o mal fala tão alto e se impõe tanto, como é tão barulhento, podemos correr o risco de cair no desencanto diante da realidade. Pode-nos acontecer que deixemos de ver claro e percamos a noção do Essencial, do Duradouro, do Bom…
O Bem está aí… a acontecer permanentemente nos gestos calados de milhões de homens e mulheres… Mas não faz barulho… Não invade. Por isso temos que educar o olhar e a atenção, para que, de tanto nos escapar, não cheguemos até a pensar que o Bem e o Bom não existem mais…
Existem! Estão aí. Tenho a certeza absoluta que hoje mesmo o vou experimentar…
SHALOM
imagina que não precisas de imaginar...
Ora bem… como é que eu hei-de dizer isto?... Hmmm… Vai ser assim:
Imagina que havia uns quantos jovens que durante um fim-de-semana vinham para a minha casa só porque gostam muito do Jesus e querem crescer como seus amigos e companheiros de missão…
Imagina, já agora, que nos pomos todos juntos a procurar qual será a grande paixão do nosso Jesus e descobrimos que é uma coisa que ele chama “REINO DE DEUS”…
Hmmm… e imagina também que depois tentamos descobrir quais serão as perguntas mais importantes que devemos fazer para percebermos o que será isso do Reinado de Deus pelo qual o Jesus se apaixonou tanto…
Imagina que começamos a fazer esta pergunta: “O que é que acontece quando Deus Reina?”
E imagina que depois nos pomos a ler os testemunhos da Vida e da Mensagem do Jesus como uma fantástica Boa Notícia para nós e para toda a gente do mundo inteiro!
E imagina que, juntos, começamos a perceber que é na Vida, na Mensagem e nos Gestos do Jesus que estão as respostas àquela pergunta: “Olha! Olha… Quando Deus Reina, acontece isto, e isto, e isto… As pessoas são restauradas, como se fossem casas em ruínas que se tornam novas e bonitas e confortáveis! Os tristes são consolados para sempre, os não-amados são reconhecidos como amigos e irmãos de muitos… Quando Deus Reina, acontece isto, e isto, e isto… isto que a gente vê acontecer na Vida do Jesus! Quando Deus Reina, o egoísmo não vive no coração das pessoas, mas sim a partilha. A violência não é a coisa mais forte que existe, mas sim o amor. O medo começa a desaparecer e a doçura passa a ser uma coisa muito importante para todos… Quando Deus Reina, acontecem coisas destas!”
Imagina que, pouco a pouco, começamos a perceber que o tal Reino de Deus pelo qual o Jesus se apaixonou tanto tinha a ver com isto…
E imagina que, ao fim de um dia inteiro, não só os jovens de várias partes do país estão em minha casa, mas vêm também muitas pessoas que se juntam por cá todas as semanas para celebrarmos a Vida que nos vem de Deus e a alegria de conhecermos o Jesus… Imagina…
Imagina que, nesse dia, todos juntos, muitos, celebramos a ESPERANÇA!
Imagina que até entendemos que a Esperança é uma maneira de viver… é uma maneira de se comprometer desde já com aquilo que se Espera…
Imagina que quem celebra esta Esperança se sente convidado a ir treinando já gestos e atitudes e critérios que pertencem ao Mundo Novo e Diferente que todos dizem Esperar…
Imagina que no meio de tanta gente que veio aqui a casa celebrar esta Esperança, uns quantos acreditam mesmo mesmo que o Reinado de Deus é coisa verdadeira e presente no meio de nós, invisível como o sal, mas forte, importante e sensível como o sal. Imagina só…
Imagina que, enquanto tudo isto está a acontecer, há milhares de pessoas que saíram de suas casas e se ofereceram, totalmente de GRAÇA, para estarem à porta dos supermercados a entregar e recolher sacos de compras com alimentos para serem distribuídos a quem vive com dificuldades…
Imagina que, à mesma hora, estão centenas de pessoas a conduzir carros e carrinhas a levar esses sacos todos até um grande armazém onde estão mais umas centenas a receber, dividir, organizar, arrumar, catalogar, preparar…
Imagina que é possível ir junto delas e sentir-se maravilhado porque parece que, afinal, aquela paixão do Jesus pelo Reinado de Deus é mesmo coisa a valer, é mesmo verdadeira, e esse Reino está presente no coração das pessoas!
Imagina que é possível fazer novamente a pergunta: “O que é que acontece quando Deus Reina?” e ver respostas concretas mesmo a acontecerem diante dos nossos olhos… Imagina! Consegues?! É giro, não é?...
Imagina que durante um fim-de-semana milhares de portugueses estiveram dedicados à causa da PARTILHA de maneira totalmente gratuita, uns a apanharem um frio do caneco e salpicos da chuva à porta dos supermercados durante horas de pé, outros a chegarem ao fim do dia “todos rotos” pelo esforço físico de trabalhar no armazém…
Imagina que em dois dias, milhões de portugueses gastaram alguns dos seus euros para comprarem coisas que não eram para levar para suas casas mas para oferecerem à saída e, com isto, só uma Equipa à qual pertenciam alguns dos que tinham estado a celebrar a Esperança, juntou para o BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME quatro toneladas e meia de alimentos! Imagina… Imagina que esta é apenas uma equipa entre centenas...
E, agora, o melhor de tudo…
Imagina, mesmo a sério… Imagina que, para tudo isto ser verdade, não é preciso imaginar…

“Interrogado sobre quando chegaria o Reino de Deus,
Jesus respondeu-lhes:
O Reino de Deus não vem a dar nas vistas,
de maneira a que se possa dizer: 'Olha, está aqui!' ou 'Olha, está ali!'
Porque a verdade é que o Reino de Deus está no meio de vós.”
(Lc 17, 21)
Um GRAAANDE ABRAAAÇO


Às sextas com... MARIZA
Hoje é diferente, pronto... Mandaram-me uma sms a pedir para pôr hoje esta música, por causa dos dois posts anteriores. Até já. Um grande Abraço! SHALOM
As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade...
Há gente que fica na história da história da gente...
não, não temos tudo controlado
Somos débeis e frágeis como folhas de Outono nos ramos da história. Não temos tudo controlado, por maiores que sejam os nossos esforços e por mais refinadas que sejam as nossas manias. Estamos sempre aqui por um triz…A ilusão de termos tudo controlado, todos os momentos assegurados e delineados na palma da nossa mão, faz-nos perder vezes demais o sentido e a oportunidade da HORA que passa. Não temos tudo controlado, não! Por isso, esta é a Hora de fazer coisas boas, bonitas, importantes. Coisas simples. Coisas piegas, até, porque também é dessas que se constrói o nosso coração. Ou não é?!
Esta é a Hora…
Do seio de Deus, nestes dias, é uma das vozes mais permanentes que se faz ouvir dentro de mim: “Eu também pensava que tinha tudo controlado… Eu também pensava que tinha tudo controlado…”
Esta é a HORA em que o que fazemos e decidimos pode ser verdadeiramente NOSSO. Ainda há poucos dias partilhei aqui a experiência libertadora da Desimportância de si, naquele Recado de Jesus ao fim da tarde, e agora anda a remoer este desabafo que me chega do Céu rasgado pela Ressurreição de Jesus: “Eu também pensava que tinha tudo controlado…” E é um apelo a uma enorme seriedade, uma obrigação quase divinamente revelada de ser autêntico e completo no HOJE que Deus abriu para mim quando re-suscitou Jesus nas Suas entranhas e na HORA deste HOJE que me cabe a mim receber.
Receber…
Receber... Porque, afinal, de que é que somos donos de verdade? Possuir é a maior ilusão da Humanidade. Nem as coisas, nem o tempo, nem os outros: não somos donos. Acredito que levamos dentro a Vocação máxima da nossa existência, a vocação a sermos Criaturas Agraciadas. Ambas as palavras são belíssimas… Ser Criatura significa ter a sua origem noutro, num Criador. Significa não existir por acaso, mas ser sonhado, querido, desejado, criado, moldado… Significa ser cuidado, ser o centro do outro, tomar-lhe tempo, dedicação, atenção… Ser Agraciado significa ser amado sem condições. Viver do Dom, existir para a reciprocidade, para a resposta agradecida à iniciativa amorosa daquele que nos ama de uma maneira que nos cria e recria segundo a liberdade e a beleza do seu coração…
Na plenitude dos tempos, ficaria claro – ficou! – que o horizonte máxima da nossa Vocação de criaturas agraciadas era tornarmo-nos Filhos. Ser Filho significa ser amado de maneira tão contínua, intensa, verdadeira, autêntica e gratuita, que esse amor Gera. Ser Filho é ser Gerado, e este é um mistério do amor, não da biologia. A biologia procria, só o Amor Gera.
Ser Filho é a condição máxima da não-posse agradecida. Porque ser Filho é ser Herdeiro, como permanentemente recorda o Apóstolo Paulo. E quando é que o Herdeiro tem direito à sua herança? A partir da morte do Pai? Claro que não!!! A partir do momento em que ele mesmo nasce! O seu nascimento é o princípio da sua condição de herdeiro. O Pai nega o que tem ao Filho enquanto está vivo?! Só partilha com ele a vida e os bens quando morre?! Desde o momento em que um Filho é Gerado, torna-se participante pleno da Herança do Pai, da sua vida, dos seus bens, da sua riqueza.
Viver na condição de Filho é abdicar de ser dono.
E quando a gente se esquece destas coisas, no concreto da nossa maneira quotidiana de viver, resta-nos sempre a esperança do Evangelho na figura daquele Pai que recebe num abraço um Filho perdido, que o Gera de novo como Filho apesar de ele regressar resignadamente na condição de servo, e desarranja o salão de festas só por causa dele/de nós.
Outras vezes, as coisas acontecem de outra maneira… Como nestes dias, em que do Céu me chega este convite a estar atento à HORA que passa neste eterno HOJE de Deus: “Eu também pensava que tinha tudo controlado…”
Muito Obrigado, Francisco.
Até já.
Francisco
O Carlos estava a trabalhar no 4º andar da obra. Desequilibrou-se e encostou-se a uma parede ainda não assente. O Francisco, que era o responsável da obra, precipitou-se para ele, para o agarrar, e acabaram por cair os dois. O Carlos partiu um braço e alguns ossos mais, mas ficou no hospital livre de perigo. O corpo do Francisco já foi semeado ontem ao final da manhã na nossa terra. Tinha 42 anos e todos se lembram dele como um homem bom.
E diante de tudo isto é impossível não sentir muitas coisas. Entre elas, é impossível não se sentir pequenino aprendiz do mistério de ser gente.
E o eco das primeiras perguntas do Deus bíblico ouviu-se mais forte nestes dias… Quando abrimos a bíblia, as primeiras perguntas que Deus faz são: “O que fizeste?!” A Adão e a Eva… e, depois, a Caim: “O que fizeste ao teu irmão?! O que fizeste do teu irmão?!”
E a resposta não foi bonita…
E Deus esperou… Pôs-se a fazer história com esta gente até que, a esta mesma pergunta – sempre a mesma pergunta! – alguém respondesse segundo a Verdade para a qual fomos criados…
Era uma vez um homem, chamava-se Jesus, e era de Nazaré. No face-a-face com Deus, ouviu de novo a pergunta: “O que fizeste ao teu irmão? O que fizeste do teu irmão?” E, da boca de Jesus, Deus ouviu: “Dei a vida por ele. Salvei-o.”
Deus ficou tão Feliz… mas tão Feliz… Que desde esse dia quis deixar claro para a Humanidade inteira que a Sua razão de existir era fazer-nos um dia sermos capazes de dizermos todos isto! E continuou, entusiasmado e confirmado pela resposta do Seu Jesus, apaixonado pela única pergunta que parece mesmo interessar-lhe…
E… era uma vez, um homem chamado Francisco. Também ele, da maneira mais inesperada, se encontrou face-a-face com Deus que, sorridente, lhe perguntou, só para lhe dar a alegria e a dignidade de ser ele mesmo a dizê-lo: “O que fizeste ao teu irmão? O que fizeste do teu irmão?” E voltou a ouvir-se da boca do Francisco, novamente, a própria resposta de Jesus: “Dei a vida por ele. Salvei-o.”
E Deus Pai, como faz sempre nestas horas, ficou amorosamente calado diante do Seu Filho Francisco, encantado com ele, cheio de uma infinita e tão divina vaidade pela beleza que encontra no coração das criaturas…
E calo-me aqui.
Muito Obrigado Francisco.




