Às sextas com... LUISA

Sou a Luísa Madureira, tenho 24 anos e estudo arquitectura no Porto, apesar de ser natural da Marinha Grande. Quando o Rui me pediu para eu pensar em qualquer coisa para hoje, pus-me a pensar nas coisas que mais me tocaram desde que o conheço. E houve uma vez, logo a primeira que o ouvi numa formação de catequistas, que ele disse uma coisa durante a oração que me custou a entender. Qualquer coisa como: "Liberta-nos, Senhor, da Perfeição"... Depois ao longo do encontro é que eu percebi... às vezes pensamos que Deus quer que sejamos o que não somos, e ocupamo-nos tanto em ser o que não somos, que nem chegamos a ser isso nem chegamos a ser de verdade o que somos! Era qualquer coisa assim... Não sei explicar bem, mas sei que percebi! Só sei que nesse momento foi como se dentro de mim tivesse respirado fundo. Acho que na minha relação com Deus foi a primeira vez que eu "respirei fundo". Acho que dá para perceber a ideia. Bem, e lembrei-me que passado muito tempo eu tinha relembrado isto ao ler esta parábola que ponho aqui. É melhor trazer uma parábola assim, porque ainda só escrevi três ou quatro frases e acho que já me embrulhei toda.


Liberta-nos, Senhor, da Perfeição

Era uma vez um carregador de água na Índia que levava todas as manhãs ao Senhor daquelas terras dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara que ele carregava atravessada aos ombros, apoiada sobre o pescoço. Um dos potes tinha uma rachadela, enquanto o outro era perfeitinho e chegava sempre cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do Senhor daquele carregador. O pote rachado chegava sempre pela metade.

Foi assim durante dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa do seu Senhor. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de si mesmo. Até parecia maior, tanto lhe tinha inchado o orgulho! O outro pote, rachado, estava envergonhado de sua imperfeição, e sentia-se miserável por só conseguir realizar metade do que se esperaria dele.

Ao aperceber-se mesmo disto, depois daqueles dois anos, o pote finalmente falou para o homem um dia, à beira do poço:
- "Estou envergonhado, quero pedir-te desculpas. E pedir-te que deixes de contar comigo, que não sirvo para nada."
- "Porquê?" - perguntou o homem - Porque é que estás tão envergonhado?
- "Porque nestes dois anos eu só fui capaz de entregar metade da minha água por causa desta rachadela aqui de lado... Metade da água vai-se pela beira do caminho, entre o poço e a casa do teu Senhor!"

O homem ficou triste com aquilo que lhe disse o velho pote, e falou-lhe com compaixão:
- "Quando retornarmos para a casa do meu Senhor, quero que te dês conta se há flores ao longo do caminho... e onde é que elas estão..."

Então, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado deu-se conta que do seu lado do caminho a berma era pintada de mil cores, as mil cores de tantas flores que tinham nascido por ali... E, deitando o olho para o outro lado, não viu mais que terra seca e pedras...

Reparou até, pela primeira vez, que o carregador se debruçava para apanhar algumas... O carregador disse-lhe:
- "Parece impossível que nunca tivesses reparado... O que seria este caminho sem ti e sem a tua rachadela? Todos os dias pela manhã eu levo ao meu Senhor não só a água, mas as flores que dão alegria à sua mesa! Todas as manhãs... Como o poderia fazer sem ti? Que flores teria para alegrar a mesa do meu Senhor se tu não fosses assim mesmo como és?"


salmo 174

Quem preferir rezar na Sala dos Salmos, pode entrar já clicando AQUI.

Meu Senhor e meu dono, Deus de todas as manhãs,
Pai que começaste a recitar no silêncio admirável daquela Manhã do Primeiro Dia da Semana
o poema da Vida Glorificada do Teu Filho,
Artesão das mais antigas maravilhas
que moldas com as mãos e dás vida com os lábios,
Pai em cujas entranhas maternais experimentaremos todos
a Vida a Amanhecer no banho da Luz de uma Nova Criação,

meu Pai!

Com que então, também Tu andas por aqui…

Onde arranjou uma Divindade pés de gente como os nossos?

Os deuses costumam dar-se melhor com os anjos do que com a gente…
Talvez por isso, daquilo que nos toca, os deuses costumam gostar só da alma,
e deixam o corpo para os diabos que os pregadores foram inventando…
E a gente que carregue com ele! E com eles...

O Juízo Final desses deuses
- apesar de lhes darem o nome de "salvação" -
também costuma ser coisa de meter medo ao susto,
coisa de tribunal divino e frente a frente definitivo com a alma do julgado…
Quem diria que as almas iam a contas?!

Esses deuses, claramente, na hora da verdade nunca sabem o que hão-de fazer nem com os corpos nem com a natureza… e, numa solução que parece ser mais nossa do que se esperaria de uma divindade, preferem deixar isso para depois - “logo se vê o que se arranja!” – e tratarem do assunto com a alma…

Meu Deus,
Senhor da Criação inteira,
a bíblia não conhece nada disto…
Quando fala da hora de pores as coisas às direitas de uma vez por todas
– é isso o Juízo –
usam imagens de uma enorme exultação!

“Tudo muda”, grita a terra inteira num coro triunfal…

Os rios saem do seu curso, as montanhas saltam como bezerros brincalhões, as ondas do mar batem palmas, as colinas correm de um extremo ao outro da terra, o fundo do mar fica à vista, as rochas abrem-se em fontes… A Criação inteira exulta de alegria… “porque Deus vem para Julgar a terra!”, como dizia um outro salmista antigo, um mesmo de verdade…

E aos Homens, o que os espera?

Um Banquete…
Deus tem preparado um Banquete de manjares deliciosos, carnes apetitosas, vinhos inebriantes…

Oh Senhor… Quem está louco?!
Isaías que sonhou estas coisas, ou Tu mesmo que lhas deste a sonhar?!

Qualquer pregador de trazer por casa se daria conta
que a Tua Salvação é uma orgia dos sentidos e uma tentação diabólica desse pecado capital que é a gula!
Porque os pregadores de trazer por casa têm uma dificuldade enorme em ver gente feliz…
e o primeiro a estar de má cara hás-de ser sempre Tu! Dizem eles…

O Apóstolo Paulo diz que em Cristo se revela a Tua Loucura e a Tua Debilidade… não admira!
Um Deus que nos faz esperar a Salvação desta maneira… ama demais
para se comportar como as divindades costumeiras!
É esse Amor a Tua Loucura em querer-nos… é esse Amor a Tua Debilidade em perdoar-nos…

Porque somos Teus! TEUS!

O deus que vive refugiado no céu dele e só se ocupa de almas
não seria capaz de preparar um Banquete porque não percebe nada de festas!
Esse deus escandaliza-se com Jesus, o comilão e beberrão dos evangelhos,
envergonha-se das suas companhias e amizades…
e ao encontrar-se com ele tenta o mais possível tapar-lhe as manchas de molho e vinho da roupa
e limpá-lo das impurezas das gentes que se lhe pegaram…

MAS TU NÃO!

És o Pai de Jesus, e ele é a Tua cara chapada!

O Filho que sai do Pai é o Filho que sai ao Pai.

Nele a Salvação ganha língua de gente,
os coros são de outros anjos, não pequeninos e branquinhos, com asinhas e sem sexo,
mas de homens e mulheres
com cabelo
e barba
e mãos
e unhas
e cheiro
e nome
e história
e tudo o que os outros anjos, coitados, gostariam de ter…
Estes anjos são acompanhados já não com violinos e harpas
mas com o bater dos talheres nos pratos e com os instrumentos que cada um souber tocar.

E quem não souber… invente! Porque Tu adoras rir-te até às lágrimas com a saúde dos Teus filhos.

AMEN

um "até já" inesperado

Como é que eu vos hei-de dizer isto… ora bem… é assim: eu estou em Macedo de Cavaleiros estes dias. Hoje já estive o dia todo a fazer formação a catequistas e nos próximos dias irei orientar por aqui um [Per-]Curso Bíblico. Até aqui, tudo normal. Continuando: quem organizou estas actividades, arranjou-me também lugar para eu dormir, claro. Cheguei há pouquinho, e é daqui que escrevo este post diferente. Eu trouxe comigo a net-móvel para poder continuar a actualizar o blog estes dias, como faço sempre quando saio em missão, mesmo que não vos diga nada, eheh. Afinal, aqui nem precisava de ter trazido porque há rede sem fios onde estou.

MAS… e este “mas” é muito importante…

Estou num lugar chamado Balsamão, numa casa-mosteiro que fica no alto de um monte perdido onde o céu e a terra se misturam e não há mais nada à volta! Não tenho rede no telemóvel, não se ouve um único som para além dos da floresta e daquelas coisas que o vento diz. Porque este é um daqueles lugares onde o vento ainda fala…

E, desculpem, mas escrevo este post e despeço-me até quinta-feira… Só conto sair daqui para ir aos encontros que tenho que fazer e, entretanto, sugar a Vida que paira por aqui e o Silêncio, onde me sinto sempre em Casa!

Em Casa… é incrível como chego a este lugar pela primeira vez e me sinto tão em Casa… porque ESTE Silêncio já o conheço. E faz tanta falta voltar a Casa de vez em quando. Estou MUITO FELIZ!

E agora, com licença… vou encostar a porta por uns dias… o estaminé é todo vosso, sintam-se à vontade. Eu vou estar um bocado em CASA e depois já volto. Sinto a mesa posta, caneco… e o Deus da Vida aqui, inteiro, a mandar-me partir o pão e servir-me de vinho! Aqui, INTEIRO, do tamanho infinito destes montes e deste Silêncio…

“Bem Vindo a Casa!”, diz o Deus que gosta destas coisas…
“É tão bom estar de volta…”, digo-lhe eu. E começamos a comer.

Às sextas com... FRANCISCO

Olá, chamo-me Francisco e sou do Brasil. Terra de sol, de verde e de mar.

Não sou de falar muito por isso deixo aqui um vídeo que tem sido muito importante para mim. É um texto de William Shakespeare. Fico pensando em como este grande poeta do séc XVI diz coisas tão reais para mim hoje.
Acredito que também pode ajudar vocês.





Deixo só aqui mais uma confidência minha. Passei por um período complicado há cerca de 2 anos atrás porque perdi uma pessoa que eu amo muito. Fiquei muito revoltado, acabei maltratando muita gente que me queria bem, mas só serenei com uma coisa que me aconselharam a fazer. Escrever para essa pessoa, ainda que ela já não esteja comigo, sabendo que nunca mais a verei, sinto mesmo que essa pessoa está em algum lugar no colo do nosso Deus, que já faz parte dEle. É para essa pessoa em especial que eu dedico este post.

Espero que isto ajude a serenar alguém que esteja passando pelo mesmo.
Escreve para ele ou ela, e aí você vê quanta coisa estava entalada dentro, coisas boas e menos boas. Eu encontrei muita paz fazendo isso.

E é isso. O Amigo Rui Santiago me pediu, eu fiz.
Abraço bom para ti, Rui, e para todos vocês que passam por aqui.

Post-It #24


encanto: s.m. ação de encantar; acção de atrair com magia; coisa maravilhosa, de sedução irresistível.

…e o Encanto, claro, por poder mergulhar a cabeça inteira, de joelhos no chão e mãos nas pedras, na frescura da Água Nascente e ficar ali, como fazia em criança e faço ainda hoje quando vou à aldeia dos meus avós: ficar com os lábios na água fresca, com a boca aberta, mesmo sem estar a beber. Porque a gente também se alimenta de Frescura!

…e o Encanto, claro, que está sempre no princípio destas coisas que dizemos serem de Deus mas que, ainda que não sejam, experimentamos que são verdadeiramente nossas, sem máscaras, sem receios, sem guiões.

…e o Encanto, claro, porque não acredito na Fé sem ele.

…e o Encanto pelo Encanto de Deus, o Encantado, o Deus de Jesus que das duas únicas vezes em que os Evangelhos dizem que Ele falou, foi porque não se aguentou de Encanto pelo Seu Jesus… rasgou os céus e segredou num murmúrio que ainda hoje percorre a Criação inteira:” Tu és o meu Filho tão amado… meu Encanto…”

Creio num Deus cheio de Encanto, um Pai Encantado.

shalom

Já que é dia de ir ao nosso Baú, hoje lembrei-me de voltar a este post... É lá do princípio, do dia 7 Set. 2006. É sempre bom voltar a lembrar o que estamos a desejar uns aos outros quando escrevemos tantas vezes por aqui a palavra "Shalom"... Grande Abraço!




Desde que iniciei o blog, vários amigos me têm perguntado o que significa "SHALOM". Outros não perguntam, porque já sabem que significa "Paz". No entanto...

SHALOM é uma palavra hebraica que costuma ser traduzida em português como "Paz", é verdade. Mas a sua profundidade e significância bíblica tem um alcance muito maior...

SHALOM não é a simples ausência de conflito, entre nações ou entre pessoas, nem a simples tranquilidade dos nossos dias mansos.

Na sua raíz semita (sh-l-m) significa "estar cheio, sentir-se completo, preenchido ou plenificado".

A Paz bíblica - SHALOM - é a vivência plena de todos os dons de Deus: a alegria, a abundância, a comunhão, a fecundidade, a beleza, a compaixão, a criatividade, a esperança, a liberdade...

O SHALOM não é apenas um sentimento ou situação existencial, mas a experiência plena de uma Vida Recriada e cheia de Sentido!

SHALOM é viver inteiro na Vida, ou seja, estar inteiro em si próprio, pôr-se todo em tudo o que se é e se faz!

SHALOM significa habitar cada recanto de si próprio e da sua própria história.

SHALOM é a paz dos que dão o melhor de si próprios e não têm vergonha de não serem infalíveis!

SHALOM é a experiência da totalidade humana, a sensação de que todas as dimensões da nossa personalidade caminham unas como um rebanho só, no amor a um mesmo pastor.

SHALOM é não se sentir disperso ou derramado como água, com vários "eus" a fugir um para cada lado...

SHALOM é "estar de bem" com a Vida, consigo próprio, com Deus, com os Homens e com o Universo. Porque tudo está cheio de encantos... Tudo transborda de abundância: a Vida e a sua construção, o Coração da gente e as suas aventuras, Deus e o Seu Projecto de Amor, os Homens e as suas procuras, o Universo e a sua beleza...

SHALOM é a paz dos Corações Sábios que vêem tudo com o seu real tamanho: vêem pequeno o que é pequeno, e vêem grande o que é grande! Por isso, não se assustam com facilidade, e têm um jeito especial para se maravilharem...

SHALOM é a paz dos Corações cheios da abundância da Vida!

SHALOM é a paz dos velhos Sábios que sorriem com os olhos, e a paz das crianças quando ao colo da mãe se alimentam do seu leite...

Quando te digo SHALOM, todos os dias, é esta abundância de Vida que te desejo e procuro construir contigo, nem que seja apenas na frieza de palavras soltas no teu ecran.
E acredito absolutamente que todos os dias são bons para começar de novo qualquer coisa, de preferência eu próprio!

Sinto-me apaixonado pela Vida, pelos seus mistérios e pela experiência de que Jesus é a Revelação máxima de como é Deus e de como pode ser o Homem!


Agora sim: SHALOM!!!

a coisa mais importante

O Rei marcou o dia do jogo. Ia ser uma festa, com banquete no fim para toda a gente e tudo. E toda a gente iria mesmo ao banquete, isso estava assegurado, porque todos amavam o seu Rei. Era um homem bom.

O jogo era simples… Todas as crianças foram chamadas à sua presença e, entre gomas e rebuçados, o Rei explicou-lhes que teriam que ir procurar ao meio da floresta um baú com um tesouro valiosíssimo do qual teriam que tirar a coisa mais preciosa de todas! No princípio do dia cada um iria receber um mapa e procurar o seu tesouro. Havia um para cada um. Quando o encontrassem, chegava a altura de levar a coisa mais valiosa de todas ao Rei… Aquele que acertasse na coisa mais valiosa para o Rei seria declarado Campeão e receberia como prémio um cavalo branco lindíssimo…

Chegou o dia. Os mapas foram distribuídos. A correria começou. E a floresta encheu-se de criançada…

Quando começaram a descobrir os baús, eles ficaram sem reacção… tinham lá dentro tantas coisas, todas tão bonitas, todas tão valiosas, todas tão boas… como poderiam acertar na coisa que o Rei mais apreciava?! Parecia-lhes impossível…

Um após outro, todos experimentavam isso. E, um após outro, todos chegaram à mesma conclusão: “Quanto mais levarmos, melhor acertaremos!” Enchiam os bolsos, prendiam coisas ao cinto das calças, atiravam peças de arte e jóias para dentro das camisolas e, por fim, punham coisas nas mãos e nos braços empilhadas de tal maneira que quase não viam o caminho.

E aí é que começava mesmo o jogo e a diversão… Porque o caminho de regresso estava cheio de armadilhas! Eram obstáculos pequenos, simples, em que ninguém se magoava, mas eram tão inesperados que davam motivos para grandes risadas. Um tropeçava num pau e pumba, lá lhe caíam as coisas do cinto e dos bolsos. Outro perdia-se num labirinto feito com arbustos e, no meio da confusão e da pressa, pumba, deixava cair todas as preciosidades que levava nas mãos.

Eu esqueci-me de te dizer que uma das regras era que tudo o que caísse ao chão deixava de valer… e não admirava nada, porque a maior parte das coisas ficava estragada ou partida, eheheh.

Um após outro, foram chegando ao Rei com as mãos vazias… O Rei ria-se, não se zangava. Era só um jogo! E perguntavam-lhe aqueles que já tinham chegado:
“Ó Rei, diz lá, vá… afinal, qual era a coisa que tu querias? Qual era a coisa mais preciosa daquele tesouro que nos mandaste procurar? O que é que devíamos ter trazido para te dar?”

Mas o Rei ria-se mais ainda e não respondi:
“Esperem, seus apressados! Esperem! Alguém há-de trazer…”

Enquanto dizia isto, estava a chegar uma menina muito pequenina ainda, que não tinha a força nem a corrida dos outros e por isso não tinha pegado em tantas coisas como eles. Trazia na mão uma colher de prata, pequenina. Todos se riam, porque lembravam-se que no tesouro haviam peças de cristal finíssimo, colares de ouro muito mais ricos que aquela colher, perdas preciosas raras e algumas delas enormes…

Quando a pequenita se aproximou do Rei e lhe deu a colher, o Rei pegou nela e cheio de alegria disse alto e bom som:
“Eis a coisa mais valiosa que havia a descobrir no tesouro! Eis a coisa mais valiosa e preciosa!”

Todos ficaram admirados com isto… mas mais ainda ficaram depois... Eu explico: é que tinha acabado de chegar um miúdo, o gordito e desajeitado lá do reino, com um copo em madeira todo gravado à mão. Entregou-o também ao Rei que, inesperadamente, voltou a dizer o mesmo:
“Eis a coisa mais valiosa que havia a descobrir no tesouro! Eis a coisa mais valiosa e preciosa!”

Todos se perguntavam sobre aquilo… Aqueles dois tinham pegado em apenas uma peça do tesouro, tinham escolhido a que mais tinham gostado, e por só trazerem uma é que se davam conta das travessuras e armadilhas no caminho e não as deixaram cair. Mas a pergunta continuava no ar… afinal, qual era a coisa que o Rei mais gostava?! Pensavam que era a colher de prata, mas depois apareceu o copo em madeira e ele disse a mesma coisa!!!

Ainda pensavam nisto quando apareceu outro, desta vez com uma jarra de cristal na mão… ofereceu-a ao Rei e este, mais uma vez, repetiu:
“Eis a coisa mais valiosa que havia a descobrir no tesouro! Eis a coisa mais valiosa e preciosa!”

O jogo foi dado por terminado… O Banquete começou com música e bailarico e tudo… e, enquanto comiam, foram perguntar ao Rei quase em segredo:
“Bom Rei… estão todos pensativos por causa de ti… Afinal, qual era a coisa mais preciosa que tu esperavas que eles encontrassem no tesouro?! A colher de prata, o copo de madeira ou a taça de cristal?”

E o Rei, sorridente, respondeu: “Nenhuma dessas coisas! Eu queria que eles, ao darem de caras com um tesouro com tantas coisas boas e valiosas lá dentro, descobrissem a coisa mais importante de todas… e estes três descobriram.”


“Mas descobriram o quê, afinal?!”, disseram eles já impacientes…

O Rei continuou:
“Descobriram que a coisa mais importante e valiosa de todas é ser capaz de __ __ __ __ __ __ __ __

E eles ficaram admirados com a resposta e voltaram para casa a pensar nela… Sabes qual é?


hossa'na, salva-nos

Jeremias, o Profeta, viu o que só com olhos de Deus se pode ver…

Viu um Povo de exilados numa marcha triunfal de Libertação, cantando e dançando no caminho em que as pedras eram feitas de Memória e as montanhas escorriam pelas ladeiras a Graça abundante do Deus com Entranhas de Misericórdia e Braço Poderoso!

Viu os acontecimentos dos tempos antigos, quando Deus tinha mudado o destino de um bando de escravos, e gritou, juntando no seu grito os gritos e gemidos de todos os do seu povo, para que Deus mudasse de novo o destino de Israel… o Egipto chamava-se agora Babilónia… e o que Jeremias não sabe, mas nós com mais 2600 anos em cima já aprendemos, é que o Egipto está sempre a ganhar nomes novos…

Muda agora, Senhor, o nosso destino!

O Profeta viu que Deus se ocupava em salvar um Resto, o refugo não querido por qualquer deus que se prezasse e quisesse fazer jus ao seu divino nome, porque Se tinha enamorado dele…

Viu um Deus apressado, atarefado, conhecedor dos quatro cantos da terra e dos infinitos recantos dos Homens, procurando a quem salvar… e viu – admirável – que este Deus trazia para a marcha triunfal da Libertação os cegos que encontrava pelo caminho, os coxos e aleijados, as crianças, as mulheres que tinham acabado de ser mães e amamentavam e as outras que, grávidas, se mexiam com dificuldade…

Jeremias viu o que os nossos ouvidos não podem ouvir: um Deus disposto a abrandar, a caminhar lento, demorado, um Deus disposto a esperar… mas NUNCA disposto a abdicar seja de quem for!

Jeremias viu, e Marcos voltou a ver, porque os evangelistas têm coração de Profetas… Marcos viu Jesus, saindo de Jericó, seguido pelos seus discípulos e por uma multidão numerosa, e Bartimeu, um cego-mendigo sentado à beira do caminho, parado, fora da marcha… que gritou, também ele… e Jesus parou!

E então ele seguiu Jesus pelo Caminho…

E Jesus perguntou-me: "Que queres que eu te faça?"
"Senhor... que eu VEJA!"

Às sextas com... NADINE

A pessoa a quem eu pedi que tomasse conta do nosso estaminé esta sexta-feira pregou-me uma partida... Disse-me que preferia "não aparecer" porque tinha uma carta guardada no computador havia muito tempo que era mais importante do que qualquer coisa que ela tivesse para dizer. Então, pediu-me para pôr o nome da autora dessa carta, uma poetisa com 85 anos chamada Nadine Stair. E daqui lhe mando uma grande abraço, não à Nadine, que também deve ser muito boa pessoa, mas à minha amiga que nos mandou esta carta.
SHALOM e até já...




“Se eu pudesse voltar a viver a minha vida,
da próxima vez gostava de errar mais vezes.
Era sinal de que tinha arriscado mais…

Descontraía.
Faria mais disparates.
É enorme a quantidade de coisas que levaria menos a sério!
Corria mais riscos.
Acreditava mais…
Não teria dado espaço a tantos medos,
não estaria sempre a perguntar-me se tinha feito bem ou feito mal!
Levaria até ao fim as minhas escolhas.
Sim, acho que me libertava do medo de me enganar.

Subia mais montanhas e nadava em mais rios…

Convidava os meus amigos lá a casa,
mesmo que tivesse nódoas na carpete;
usava aquela vela em forma de rosa
antes de ela se ter estragado no armário da sala;
sentava-me na relva com os meus filhos
sem me preocupar com as manchas verdes na roupa.

Tinha rido e chorado menos em frente da televisão
e mais em frente da vida.

Tinha contado mais anedotas e visto o lado cómico das coisas.
Tinha descoberto menos dramas em cada esquina,
e inventado mais aventuras.
Se calhar, tinha mais problemas reais,
mas menos problemas imaginários.

É que, sabem,
sou uma dessas pessoas que vive com sensibilidade e sanidade
hora após hora, dia após dia.

Oh, também tive os meus momentos…
e se pudesse fazer tudo de novo, outra vez, tinha muitos mais.
De facto, não tentaria ter mais nada se não aquilo que me fizesse feliz.
Deixaria de viver tantos anos à frente de cada dia.

Sou dessas pessoas que nunca foi a lado nenhum sem termómetro,
botija de água quente, casaco para a chuva e pára-quedas.
Se pudesse fazer tudo outra vez, viajava mais leve do que viajei.

Se tivesse a minha vida para viver de novo,
começava mais cedo a andar descalça na Primavera,
e ficava sempre assim, mesmo mais tarde, enquanto o Outono deixasse.

Ia a mais bailes.
Cantava muitas mais canções.

Diria muitos mais “Amo-te!” e “Desculpa…”

E apanharia mais papoilas.
Sim, adoro papoilas!”

"...e enviou-nos o Espírito da ADOPÇÃO FILIAL..."

Qual é o máximo que pode alcançar o amor? Qual é o máximo? É dizer: ÉS MEU E EU SOU TODO PARA TI! É inserir o outro no mais íntimo e peculiar da sua própria vida, é adoptá-lo, torná-lo membro da própria família! O máximo alcance do amor é a ASSUNÇÃO, isto é, Assumir o outro em si, na sua própria vida, assim como ele é, diferente e único. Ser Assumido, na linguagem do Apóstolo Paulo, diz-se assim: “Fomos ADOPTADOS por Deus, o Pai de Jesus”.

A Adopção é o máximo do Amor. É o Amor na sua máxima gratuidade, sem "motivos" nem outras causas que não as do próprio Amor! Há muitas possibilidades e muitas “escalas” nestas coisas… desde o não ligar ao dar uma esmola, vai uma grande diferença… De dar uma esmola a levar até uma pastelaria e oferecer o lanche, é outra grande diferença… De pagar o lanche na pastelaria a levar à própria casa para comer e tomar banho, ai que diferença… De tudo isto a cuidar, ui, ui… De cuidar a adoptar, então… E quando se adopta, quando se assume na própria família, chegou-se ao dom máximo do amor.

É disto mesmo que falamos quando meditamos no Amor Salvador de Deus. Um Amor que chega ao máximo do Seu Dom para nós que é Assumir-nos na Sua própria Família! Fazer-nos Seus! ÉS MEU, segreda-nos em Jesus, E EU SOU TODO PARA TI! Esta é a Boa Notícia!

A Salvação do nosso Deus não é uma “esmola” que Ele divinamente nos dá, não é outra coisa senão Ele mesmo a dar-se, na Sua própria Comunhão Familiar, como nossa Casa. Deus faz-Se nossa Casa eterna, nosso Lar, nossa Família. Dá-nos o Seu Nome e introduz no mais íntimo da nossa Vida o Seu próprio Sangue. Somos da Família de Deus, somos filhos de Deus-Pai e irmãos de Deus-Filho na consanguinidade que o Espírito Santo faz acontecer dento de nós.

Deus ama-nos sem nos deixar fora de Si. Não pode! Deus não se limita a “dar-nos uma salvação na pastelaria da esquina do Céu”… Deus leva-nos consigo e senta-nos à Mesa da Sua própria Casa, num lugar que – diz Ele – é NOSSO! Deus não se limita a “vestir-nos com uns trapos novos” deixando-nos nas ruas antigas, mas leva-nos ao quarto do Seu próprio Filho e reveste-nos com a Sua própria Vida e o Seu próprio Amor, que são as Vestes do Homem Novo! Deus não nos diz apenas que gosta de nós… Deus revela em Jesus de Nazaré que está disposto a ir até ao fim, disposto a perder-Se para nunca nos perder a nós! Somos para Ele motivo válido para viver e para morrer se fosse preciso!

Assim é o Amor de Deus revelado em Jesus, o Deus do Reino, de um Novo Mundo que está permanentemente a acontecer por baixo das casacas mortas dos nossos dias… Deus assume-nos na Sua própria Família… O Pai assume-nos como filhos, o Filho assume-nos como irmãos… o Espírito Santo faz a Festa da Família que, se pensares bem, está sempre em Festa porque está a ser sempre nova!

Saboreamos o Amor do nosso Deus que, em Jesus, saiu ao nosso encontro para nos dar Boas Notícias: que não está zangado connosco, que deixou tudo para nos procurar, que é possível vivermos de outra maneira… e, acima de tudo, para nos pedir, por favor, que aceitemos que Ele nos ame como um Pai. É isso que Ele passa o tempo todo a fazer, como naquela parábola que Jesus contou de um Pai que tinha dois filhos… Sair ao nosso encontro e, pelo sussurro do Espírito no nosso Coração, pedir-nos, por favor, que O deixemos amar-nos como um Pai ama um filho. Quando descobrimos isto dentro de nós percebemos que nascemos de novo.


SHALOM


salmo 173

Se preferires ler na Sala dos Salmos, com outro "ambiente" e sem música, podes entrar já por AQUI



Deus de todas as manhãs,
meu Senhor e meu Dono,
ensina-me todos os segredos da OrAcção de Jesus,
todos os mistérios daquele jeito com que ele envolvia o que fazia
numa energia que só pode vir de Ti…

Meu encanto e bem maior, Deus cuja Palavra é meu Tesouro,
molda de novo com as Tuas mãos a minha história inteira
e desperta em cada manhã os meus ouvidos para que eu ouça, como um Discípulo.

“Tu és o Meu Filho tão amado, és o lugar do Meu encanto e do Meu desejo”…
Foi esta a Palavra que rasgou os Céus e abriu a história em dois,
foi este o segredo dos deuses que nenhum homem poderia ir roubar para contar
mas Tu mesmo ofereceste como aliança eterna.

E, depois, silêncio…

E, depois, num murmúrio, primeiro,
aquela Oração que Jesus fazia nas colinas ainda antes do sol nascer, serena, solitária, doce…

E chegaram as perguntas… abriu-se um campo de batalha na própria carne de Jesus,
porque os que sempre recusam a Tua Palavra tiveram que o rejeitar a ele
que a tinha escrita toda na pele…

E, nesta luta, a força!
A Tua força, a energia daquela OrAcção que escorre do alto solitário das colinas orvalhadas
mas se realiza no confronto vitorioso com as forças do Anti-Reino…

E, em profunda OrAcção, varria com o sopro do Teu Espírito a vida sepulcral de Lázaro… Em profunda OrAcção, mandava os seus darem de comer à multidão e partia o pão, dando graças, até que todos se deixassem tocar e lhe pusessem nas mãos o que levavam consigo… Na hora mais intensa da sua OrAcção, disse aos amigos que o Pão que comiam e o Vinho que lhes dava era o sinal da sua entrega incondicional à causa do Reino e aos cuidados do Pai…

Oh Deus, meu Senhor e meu Dono, minha Vida e minha Paz, minha Única riqueza,
vai-me empurrando por estas veredas da OrAcção de Jesus.
Não to sei dizer nem pedir de outra maneira,
mas quero em mim essa Energia que transfigura todas as coisas,
essa tal “apenas uma coisa” que faltava e ficou sempre a faltar ao sem-nome do Evangelho…

Queria poder derramar a minha vida num segundo por Ti,
como água que se dá no alto de uma rocha e escorre.
Mas as coisas não são assim,
porque mesmo que a oração se faça de poesia, a vida faz-se de fidelidade!
E essa é tarefa que ainda só agora me começa a calejar as mãos…
Estamos sempre um bocado por estrear
nesta coisa de sermos verdadeiramente quem estamos chamados a ser,
e encanta-me ser o Teu enlevo.

Que olhos tens Tu, Senhor meu, que me vês assim…
Que olhos tens Tu, Dono meu, que vives e crias num desbordar permanente de alegria
pela beleza dos Teus filhos em que a gente, por aqui, vê tantas mazelas…
Que olhos tens Tu, meu Amor,
para não Te desencantares de nós nem nos desacreditar o Teu Coração…

E agora, mostra-me Jesus! Mostra-me o Re-Suscitado, faz-me vê-lo e perder-me nele de tal maneira que não seja mais possível encontrar-me sem encontrá-lo a ele de algum modo. Até chegar aquele dia em que, na minha suprema fragilidade e impotência, também a mim me levantarás de novo, até ao Teu Rosto e, com a Tua ternura poderosíssima, vais sussurrar uma palavra de salvação que, mais uma vez, percorrerá a Criação inteira: “Vive!

Meu Dono!

anunciar a Palavra de Deus é pôr Deus a falar

Do nosso Baú hoje saiu este post sobre a linguagem profética, escrito originalmente há dois anos, no dia 9 de out. 07. Continuo a acreditar em tudo isto... Continuo a acreditar que Evangelizar é um enorme Mistério de Fé.



Anunciar a Palavra de Deus é pôr Deus a falar. Porque a Palavra de Deus não é uma coisa que "Deus diz" e muito menos é um conjunto de palavras mortas encadernadas em capa dura. A Palavra de Deus é a própria dinâmica de Comunicação de Deus que, no Seu íntimo, é Família, Doação, Diálogo Trinitário. Por ser Amor, não Se fecha em Si próprio mas difunde-se.

Por isso, anunciar a Palavra de Deus não é dizer muitas coisas “sobre” Deus nem ensinar simplesmente a última moda no que toca a interpretação bíblica. Aquele que o faz, para o fazer bem, deve tornar-se “posse de Deus”, “lugar” em que Deus sinta gosto e liberdade em passear-se porque não é posto em causa nem obrigado a ser diferente do que é. Então, o Profeta torna-se, ele próprio, o “lugar existencial” a partir do qual “Deus fala”…

Os Profetas bíblicos tinham esta consciência muito afinada… Quando anunciavam a Palavra de Deus, faziam-no como possuídos de Deus. Por isso a linguagem profética de todos eles brota de uma confiança absoluta em Deus, conhecido e amado como Senhor da História, que sempre se manifestara Fiel. A missão profética desperta no seu Coração quando esta experiência de Fé os conduz a uma leitura crente do presente, e sentem que Deus tem uma Palavra a dizer acerca de tudo o que o seu povo está a viver… Então, umas vezes com ímpeto e a gosto, outras vezes com suavidade ou mesmo a medo, tornam-se voz de Deus. Hoje continua a ser exactamente da mesma maneira.

Anunciar a Palavra de Deus é pôr Deus a falar, é tornar-se instrumento do “DIZER-SE” de Deus… é esta a Sua Palavra…

Por isso, os Profetas abriam quase sempre o seu anúncio com esta fórmula: “Eis o que diz o Senhor Deus”, colocavam-lhe “dois pontos” a seguir, e pumba! A partir daí, conjugavam tudo o que diziam com o “EU de Deus”, e não mais com o seu! “EU vi… EU farei… EU conheço… EU prometo… Sou EU…”

O Profeta aparece totalmente como tal quando “desaparece” diante de Deus! É a máxima confiança, esta de usar o “EU” de Deus sem ter maneira de o provar! Por isso é que a missão profética não é para todos… por muitos motivos! Os mais importantes, prefiro deixá-los para Deus, Ele lá os conhecerá. Mas há outros motivos para que a missão profética seja ousadia de poucos… Têm a ver com a coragem de colocar a confiança em Deus acima da desconfiança em si próprio. Coisa de poucos…

Mas a máxima ousadia do anúncio dos Profetas não termina ainda aqui. Não só usam o “EU” de Deus como ainda, quando acabam de falar, assinam por baixo o que disseram com a própria “assinatura de Deus”! Quando terminam dizem, para rematar: “Palavra do Senhor Deus” ou “Oráculo do Senhor Deus”. É muito arriscado assinar com a assinatura de outro…

Depois, normalmente, calam-se. E também aí são voz de Deus que sabe calar-se, esperar, confiar… A Palavra de Deus não se impõe. Muitas vezes mesmo, Deus cala-se diante da rejeição e da vertigem da injustiça quando esta já fez desaparecer do Coração humano qualquer capacidade de acolhimento. É o silêncio de Jesus perante Herodes, por exemplo… Já tinha executado João Baptista, o amigo de Jesus e primeiro mestre, e agora estava, na manhã do processo condenatório, a interrogar Jesus. Não lhe respondeu uma única palavra. Silêncio absoluto, sereno e total.

Já o profeta Ezequiel, seis séculos antes, tinha percebido que a missão do Profeta não é só falar quando Deus fala, mas calar quando Deus cala. O Profeta não deve “encher” os silêncios de Deus com palavras suas…

Anunciar a Palavra de Deus é pôr Deus a falar… Não há ousadia maior que esta. Usar o “EU” de Deus e assinar com o próprio punho a assinatura de Deus. Que maneira haverá de provar que não estamos a “falsificar” a assinatura?! Quem nos tornou Seus fiadores ou representantes?! E não adianta muito responder “ELE mesmo!”, porque continua a não haver maneira de provar…

Resta a Fidelidade, ainda que digam que é uma ilusão.

Resta a Perseverança, ainda que digam que é teimosia.

Resta a Tenacidade, ainda que digam que é orgulho.

Resta a Esperança, ainda que digam que é inútil.

E, acima de tudo, resta o SIM de Deus e o SIM a Deus, ainda que muitos digam que “não”…




SHALOM

um dia

Um dia, quando eu tiver as pernas grandes, tão grandes que até vou chegar com os pés ao chão, eu quero aprender a sentar-me outra vez, muitas vezes, para não deixar que a vida inteira passe por mim sem eu a agarrar bem com os olhos, os ouvidos e a pele…

Um dia, quando eu calçar mais de 30, quero escrever histórias bonitas com os meus pés… É que eu às vezes imagino que sou como a ponta de uma caneta muito maior que eu, e por onde ando e o que faço escreve coisas, como o rasto de tinta que as minhas canetas da escola deixam nas folhas…

Um dia, quando as minhas mãos já forem capazes de agarrar todas as coisas, quero aprender a abri-las para dar, para que não fiquem velhas e enrugadas cedo demais…

Um dia, quando com um pequenino salto já for capaz de tocar na parte de cima da porta do meu quarto, hei-de aprender a debruçar-me para os outros e a sentar-me um bocado a tratar-lhes das feridas que eu puder…

Um dia, quando eu até for capaz de dizer as palavras todas certas, sem falar de maneira engraçada, quero que me ensinem a escolher sempre as palavras melhores, só as melhores, para as dizer àqueles de quem gosto de maneira a que ninguém fique triste por causa das minhas palavras…

Um dia, quando eu já compreender muitas coisas, quando eu até já tiver percebido as coisas complicadas do mundo dos adultos, quero continuar a ser verdadeiro, a sentir alegria, a gostar de ter amigos, a brincar e a acreditar que há impossíveis que não são tão impossíveis assim…

Um dia, quando eu de repente ficar triste por achar que esse dia nunca mais chega, quero saber dizer a mim mesmo que é mesmo assim, que esse dia está sempre um bocadinho mais à frente, nós nunca estamos acabados, nunca chega a hora de parar de crescer e assim mesmo é que é bom!

E olha, Jesus… ajuda-me, por favor, a ficar muito Crescido, por fora e por dentro, muito Crescido! Não deixes que eu me torne apenas um “adulto”…

Gosto muito de ti.